Por Redação CUT

São Paulo – Entidades do funcionalismo público federal preparam protestos na próxima terça-feira (18), em Brasília, por reajuste salarial e contra o projeto de “reforma” administrativa, que o governo aparentemente abandonou. Estão previstas manifestações pela manhã diante do Banco Central (BC), que se deslocarão para o Ministério da Fazenda no período da tarde. Em plenária marcada para a quinta (20), eles também vão discutir a realização de um greve geral, em data a ser definida.

A mobilização se acentuou depois que, na aprovação do orçamento da União, o governo sinalizou reajuste apenas para carreiras da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal e Federação Nacional dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef/Fenadsef), a maioria dos servidores está há cinco anos sem reajuste, com perdas que em alguns casos pode chega a 40%. Amanhã (14), o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) se reúne e deve confirmar participação no ato de terça.

De acordo com as entidades, além do reajuste, os representantes do funcionalismo são favoráveis a discutir uma reestruturação do setor público. “Não como a reforma administrativa, que prevê a destruição do serviço público”, afirma o secretário-geral da Condsef/Fenadsef, Sérgio Ronaldo da Silva. “Nós queremos discutir a administração pública como um todo. A gente quer concurso público, pra recompor a força de trabalho, quer que melhorem os recursos pra ciência, pra educação, pras políticas de saúde, entre outras coisas”, acrescenta.

ENTREGA DE CARGOS

A exclusão de várias categorias no orçamento um processo de entrega de cargos em vários níveis. Isso aconteceu no próprio BC, na Receita Federal e entre os auditores-fiscais do Trabalho. Na Receita, por exemplo, até ontem (12) haviam sido entregue 1.288 cargos de chefia, segundo o Sindifisco Nacional.

No final do ano, os servidores chegaram a fazer “enterro simbólico” da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32, da “reforma” administrativa. Depois de aprovado em comissão especial da Câmara, o projeto não andou mais. A presidência da Câmara não inclui a matéria na pauta por temer derrota. E o governo já avalia se manterá a tramitação em ano eleitoral.